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Dicionário de Gauchês

Essa é pra quem quer conhecer um pouco mais do sul… dicionário muito bom! 

A

abancar: Tomar banco, sentar-se.
água-de-cheiro: Perfume, extrato.
alazão: Pelagem de cavalo cor de canela.
amargo: O mesmo que chimarrão.
anca: Quarto traseiro dos quadrúpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum.
aparte: Ato de separar o gado, para abate, marcação, vacina, banho ou venda.
aperos: Arreios, os preparos necessários para encilhar o cavalo.
aprochegar: Chegar perto, unir-se.
armada: Roda que se faz com o laço para atirar, com intenção de laçar a res.
arranchar: Formar rancho, arranjar onde morar.
arreios: Conjunto de peças com que se prepara um cavalo para montar.
azulego: Pelagem de cavalo azul quase preto, entremeado de pintas brancas, produzindo um reflexo azulado.

B

badana: Pele macia e lavrada que se coloca, na encilha do cavalo de montaria, por cima dos pelegos ou do coxonilho, se houver.
bagual: Cavalo manso que se tornou selvagem. Potro recém domado, arisco. Reprodutor, animal não castrado.
baio: Pelagem de cavalo cor de ouro desmaiado.
baita: Grande, enorme.
baixeiro: Espécie de lã, integrante dos arreios, que põe no lombo do cavalo, por baixo da carona.
barroso: Pelagem de cavalo cor branca amarelada; há diversas tonalidades: barroso claro, amarelo, fumaça.
bichará: poncho feito de tecido grosseiro de lã.
bicheira: Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras. Para sua cura, além de medicação, são largamente utilizadas as simpatias e benzeduras. Doença forte em geral. Mau-olhado.
bidê: Mesinha de cabeceira.


biriva: Nome dado aos habitantes de cima da Serra, descendentes de bandeirantes, ou aos tropeiros paulistas, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial diferente do da fronteira ou da região baixa do Estado. Variações: beriva, beriba, biriba.
bodoque: Estilingue, funda.
boleadeiras: Instrumento de captura desenvolvido pelos índios charruas. É feito com três pedras redondas, presas por uma tira de couro trançado. Usa-se rodando acima da cabeça e lançando nas pernas do animal. Com o movimento, ao bater nas pernas, enrola e derruba o animal, prendendo-o.
bolicheiro: Dono de bolicho.
bolicho: Casa de negócio de pequeno sortimento e de pouca importância. Bodega. Taberninha.
bomba: Objeto de metal, pelo qual é sugado o chimarrão. É um canudo, em formato de colher, tendo em uma ponta um disco perfurado e em outra um bocal.
bragado: Pelagem de cavalo, com grandes manchas brancas pela barriga.
brasino: Pelagem de cavalo, vermelho com listras pretas ou quase pretas.
bruaca: Bolsa de couro que se coloca sobre o cavalo guardando os pertences de viagem.
buena: Boa, gostosa. Interjeição, como olá.
buenacho(a): Bom, generoso, afável, bondoso, cavalheiro. Boa, gostosa.
bueno: Bom, gostoso. Mas, bem.
bugio: Macaco de médio porte, comum na região. Tipo de música e dança. Pelego curtido e pintado, em geral forrado de pano.

C

cachaço: Porco não castrado, barrasco, varrão.
calavera: Indivíduo velhaco, caloteiro, caborteiro, vagabundo, tonto, tratante.
campear: procurar o gado pelos campos.
cancha: Local preparado para jogo ou mesmo para lida. Ora é a cancha de corrida com trilhos para os parelheiros. Palavra de origem quíchua tem muitas aplicações, desde local de reuniões a caminho simplesmente: "Quando me enredo na sorte, abro cancha e sigo em frente".
capão: Diz-se ao animal mal capado. Indivíduo fraco, covarde, vil. Pequeno mato isolado no meio do campo.
carpeta: Jogo de Baralho.
carreira: Corrida de cavalos, em cancha reta. Quando participam da carreira mais de dois parelheiros, esta toma o nome de penca ou califórnia.
carreteiro: Prato típico, feito com arroz e charque.
caudilho: Chefe militar. Manda-chuva.
cestroso: Temeroso, preocupado, cabisbaixo.
chalana: Lanchão chato, tipo de música e dança.
charla: Conversa, bate-papo.
charque: Carne salgada e seca.
chasque: Recado, mensagem.
chimarrão: Infusão feita com a erva-mate. No Rio Grande ele é servido em uma cuia e tomado através de uma bomba.
china: Descendente ou mulher de índio, ou pessoa do sexo feminino que apresenta alguns dos característicos étnicos das mulheres indígenas. Cabocla, mulher morena. Mulher de vida fácil. (quíchua: xina, que significa aia).
chineiro: Grande número de chinas, índias ou caboclas. Prostíbulo.
chinóca: Mulher jovem.
chorro: Jorro.
cincha: Peça dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal.
cola: Rabo.
colhudo: Cavalo inteiro, não castrado. Pastor. Figuradamente, diz-se do sujeito valente, que enfrenta o perigo, que agüenta o repuxo.
corredor: Estrada que atravessa campos de criação, deles separada por cercas em ambos os lados. Há, entre as cercas, regular extensão de terra, onde, por vezes, se arrancham os que não têm onde morar.
cuia: Recipiente feito com a ponta de um porongo, onde, no Rio Grande, é servido o chimarrão.
cuiudo: O mesmo que colhudo.
cupincha: Da mesma turma. Capanga.
cusco: Cão pequeno, cão fraldeiro, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipeca.

D

derriba: Do lado de cima.
doma: Ato de amansar um animal xucro.
domador: Amansador de potros. Peão que monta animais xucros.

E

embretado: Encerrado no brete. Metido em apertos, em apuros, em dificuldades; enrascado, emaranhado.
entrevero: Mistura, desordem, confusão, de pessoas, animais ou objetos. Recontro em que as tropas combatentes, no ardor da luta, se misturam em desordem, brigando individualmente, corpo a corpo, sem mais obedecer a comando, usando predominantemente a arma branca.
erva: Erva-mate.
esgualepado: Vivente meio desarrumado, desengonçado, liquidado por causa da canha ou da peleia.
estribo: Peça presa ao loro, de cada lado da sela, e na qual o cavaleiro firma o pé.

F

faceiro: Contente.
fiambre: Alimento para viagem, geralmente carne fria, assada ou cozida.
flaquito: Fraco, cansado, magro, pobre.
flete: Cavalo bom e de bela aparência, encilhado com luxo e elegância.
fora: No campo.

G

gadaria: Porção de gado, grande quantidade de gado, todo gado existente em uma estância ou em uma invernada.
galpão: Construção rústica, existente nas estâncias, destinada ao abrigo de homens e de apetrechos.
ganiçar: Ganir.
gaudério: Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros, andando de casa em casa. Parasita, amigo de viver à custa alheia.
graxaim: Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas. Sai, geralmente, à noite. É muito comum em toda a campanha.
gringo: Denominação dada ao estrangeiro em geral, com exceção do português e do hispano-americano, principalmente utilizada para denominar imigrante italiano e seus descendentes. Qualquer indivíduo loiro.
guaiaca: Cinto largo de couro macio, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos. Indivíduo fora de moda, sem estilo.
guaipeca: Cão pequeno, cusco, cachorrinho de pernas tortas, cãozinho ordinário, vira-lata, sem raça definida. Pequeno, de minguada estatura. Aplica-se, também, às pessoas, com sentido depreciativo.
guampa: O mesmo que chifre, usado nos mesmos vários sentidos.
guapo: Forte, vigoroso, valente, bravo, belo.
guasca: Tira de couro crú. Indivíduo sem trato social. Ignorante, metido, valente.
guasqueaço: Pancada, golpe dado com guasca. Relhaço, relhada, chicotada, chibatada, correada, açoite.
guri: Criança, menino, piazinho, serviçal para trabalhos leves nas estâncias.

H

haragano: Cavalo que, por viver muito tempo solto, sem prestar serviço, se torna arisco, espantadiço.
hasta: Até.

I

indiada: grande quantidade de homens do campo.
índio: Indivíduo, sujeito pobre.
invernada: Extensão de campo cercado.

J

joão-grande: Pessoa alta, metido, ganancioso.
judiado: Machucado, sem forças, acabado.
jururu: Cabisbaixo, tristonho, abatido.

L

lançante: Forte declive num cerro ou coxilha.
lasqueado: Trouxa, metido a besta, passado.
légua: Medida itinerária equivalente a 3.000 braças ou 6.600 metros. O mesmo que légua de sesmaria.
lida: Trabalho no campo. Qualquer tipo de trabalho.
loco: Interjeição para muito, como em: "Loco de especial".
lomba: Qualquer terreno em declive.

M

macanudo: Designa alguém ou algo legal, bonito.
mamão: Animal que ainda mama. Indivíduo explorador.
mamona: Terneira de sobreano que ainda mama.
mangueira: Grande curral construído de pedra ou de madeira, junto à casa da estância, destinado a encerrar o gado para marcação, castração, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos.
manotaço: Pancada que o cavalo dá com uma das patas dianteiras, ou com ambas. Bofetada, pancada com a mão dada por pessoa.
mate: O mesmo que chimarrão.
matungo: cavalo velho, muito manso, quase imprestável.
maula: Covarde, medroso.
mosquinha: Mosquito borrachudo.

N

negacear: Recusar-se, resistir.

O

orelhano: Animal sem marca, nem sinal. Pessoa de baixo nível social, sem família.

P

paisano: Do mesmo país. Amigo, camarada.
pala: Poncho leve, de brim, lã ou seda, de feitio quadrilátero e com as extremidades franjadas.
palanque: Esteio grosso e forte cravado no chão, com mais de dois metros de altura e trinta centímetros aproximadamente de diâmetro, localizado na mangueira ou curral, no qual se atam os animais, para doma, para a cura de bicheiras ou outros serviços.
papudo: Indivíduo que tem papo. Balaqueiro, jactancioso, blasonador. O termo é empregado para insultar, provocar, depreciar, menosprezar outra pessoa, embora esta não tenha papo.
patrão: Dono da estância ou fazenda. Designação dada ao presidente de Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Deus.
peleia: Peleja, pugilato, contenda, briga, rusga, disputa, combate, luta entre forças beligerantes.
pelear: Brigar, lutar, combater, pelejar, teimar, disputar.
pelego: Couro da ovelha, com a lâ, usado para amaciar a montaria, colocado acima dos arreios. Por deixar-se montar, sujeito submisso a um ou a vários outros.
penca: corrida de cavalos em cancha reta.
pereba: Ferida, de crosta dura, que sai geralmente no lombo dos animais. Mazela, sarna, cicatriz. Aplica-se, também, às feridas que saem nas pessoas. Pessoa de mau caráter ou inábil.
petiço: Cavalo pequeno, curto, baixo.
piá: o mesmo que guri.
pingo: Cavalo.
piquete: Pequeno potreiro, ao lado da casa, onde se põe ao pasto os animais utilizados diariamente.
poncho: Espécie de capa de lã, de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, por onde se enfia a cabeça. É feito geralmente de pano azul, com forro de baeta vermelha. É o agasalho tradicional do gaúcho do campo. Na cama de pelegos, serve de coberta. A cavalo, resguarda o cavaleiro da chuva e do frio.
potrilho: Cavalo durante o período de amamentação, isto é, desde que nasce até dois anos de idade. Potranco, potreco, potranquinho.
prenda: A mulher do gaúcho. Mulher bonita, com bons dotes, prendada.
pulperia: Pequena casa de negócio no campo, bodega.

Q

qüera: Homem, gaúcho, gaudério.
queréla: Disputa, discussão.
quincha: Cobertura de casa ou carreta, feita de santa-fé ou de outro capim seco.

R

rapariga: Prostituta, mulher de vida fácil. Jovem.
rebenque: Instrumento de açoite do cavalo. Chicote curto, com o cabo retovado, com uma palma de couro na extremidade. Pequeno relho.
redomão: Cavalo recém domado, que ainda não está bem manso.
regalo: Presente, brinde.
relho: Chicote com cabo de madeira e açoiteira de tranças semelhantes a de laço, com um pedaço de guasca na ponta.
repontar: Tocar o gado por diante de um lugar para outro.
rosilho: Cavalo de pelo avermelhado.
russilhonas: Botas de cano alto, de couro amarelo.

S

sacanagem: brincadeira forte ou de mau gosto.
sanga: Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio.
sesmaria: Antiga medida agrária correspondente a três léguas quadradas, ou seja a 13.068 hectares. São 3000 por 9000 braças, ou 6.600 por 19.800 metros, ou ainda, 130.680.000 metros quadrados.
sinuelo: Animal manso, que serve de guia dos outros xucros.
soga: Corda feita de couro, ou de fibra vegetal, ou ainda de crina de animal, utilizada para prender o cavalo à estaca ou ao pau-de-arrasto, quando é posto a pastar. Corda de couro torcido ou trançado, que liga entre si as pedras das boleadeiras.
sorver: Beber aspirando, beber lentamente.

T

taipa: Represa de leivas, nas lavouras de arroz. Cerca de pedra, na região serrana. Tapado, burro, ignorante.
talho: Corte, ferimento. Lado cortante da faca.
tchê: Homem, em quíchua. Meu, cara.
tirador: Espécie de avental de couro macio, que os laçadores usam pendente ao lado da cintura, para proteger do atrito do laço.
tosa: Tosquia, toso, esquila. Remover a lã da ovelha.
tosquiador: Homem que realiza a tosa, ou tosquia.
tranco: Passo largo, firme e seguro, do cavalo ou do homem. Empurrão. Rapidamente, bruscamente.

U

upa: Abraço. Rápido.

V

vacaria: Grande número de vacas. Grande extensão de campo, que os jesuítas reservavam para criação de gado bovino.
vaqueano: Aquele que, conhecendo bem os caminhos e atalhos de um lugar ou região, serve de guia.
viração: Prostituição. Viver sem profissão definida.
vivente: Indivíduo.

X

xucro: Animal ainda não domado, bravio, arrisco. Pessoa sem hábitos sociais.

Y

Z

zaino: Cavalo castanho escuro.
zunir: Ir-se apressadamente, soar.

Expressões

Abrir cancha: Distanciar-se, abrir espaço para alguém passar.
A cabresto: Conduzido pelo cabresto. Submetido.
A la pucha: Exprime admiração, espanto.
Á meia guampa: Meio embriagado, levemente ébrio.
Aspa-Torta Chifre entortado de certas cabeças de gado. Diz-se do vivente enraivado, para quem qualquer pormenor é motivo para pelear, como em "Não fique de graça com o João Cardoso, que hoje o bagual está de aspa-torta!".
Bater a canastra: Morrer.
Bolear a perna: Descer do cavalo.
Botar guampa: Trair a esposa ou o marido, o mesmo que botar chifres.
Chorar as pitângas: Reclamar, lamuriar.
Com o estribo frouxo: Descontrolado, perdido, enlouquecido.
Com o pé no estribo: Pronto para partir, com pressa.
Daí Tchê: Olá, oi.
Dar carão: Recusar a dança. Xingar.
De laço a laço: Por toda a extensão, completamente, minuciosamente.
De prima: Na primeira tentativa.
Duro de boca: Diz-se do animal que não obedece à ação das rédeas. Indivíduo rebelde.
Em cima do laço: No último instante, de repente.
Frio de renguear cusco: Muito frio, insuportável.
Enrolar o poncho: Preparar-se para ir embora, morrer.
Gastar pólvora em chimango: Perder tempo, desperdiçar a conversa, sem resultado.
Juntar os pelegos: O mesmo que juntar os panos, unir-se.
Lado de laçar: lado direito.
Lado de montar: lado esquerdo.
Largar campo afora: Deixar que vá embora.
Loco de especial: Muito diferenciado.
Lombo de sem-vergonha: Ordinário, safado, muito sem-vergonha.
Mal enfrenado: Que passa das medidas, que não tem freio.
Não aquentar banco: Não se demorar, em visita. O mesmo que não esquentar o banco.
Num upa: Num abrir e fechar de olhos. De um golpe, rapidamente.
Oigalê: Exprime admiração, espanto, alegria.
Passar no pelego: Transar, ter relação sexual.
Passar o relho: Dar uma surra.
Que Tal?: Tudo bem?
Tirar o culo: Ter azar, entrar mal, em uma referência a jogada perdedora do jogo do osso.

Fonte: Ricardo Campos 

  • Comentários

    • amandiiinha

      muuuiito legalll

      noossa, interessantte pakass

      ótimmooo

    • fernanda stogmuller

      queria saber o que significa o termo xurras? ouvi alguém dizer mas fiquei sem jeito de perguntar…

    • http://www.uhull.com.br Vinny

      churrasco!

    • isaias

      muiiiiito legal!

    • Bruna

      Tao faltando várias
      Tem
      manga = mangueira de água
      pilcha = roupa do gaúcho

    • Marina

      li num lugar que se fala classe no lugar de carteira. mas carteira em que sentido? No sentido de carta (de motorista, de identidade), de profissão (carteiro, carteira), de pôr dinheiro… (ou algum outro sentido)?

    • Carolina

      Marina,
      Carteira (de aula) = classe
      Carta (de motorista) = carteira
      Os outros são iguais! hehe

    • Bruna

      o que significa “pifa”?
      eu vejo direto, mas ninguém sabe me explicar! :/

    • ronaldo

      Gaúcho é tudo viado *O*

    • Renata

      Pifa significa parar de funcionar. “Ih, o carro pifou.”

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    • http://www.vlrocha.com Vander

      Olá!
      Sou mineiro, moro em São Paulo e admiro muito o povo gaúcho. Um abraço forte e muito amigo para a gauchada!

    • Walter Barcelos de Oliveira

      bochincho?

    • sergio

      Bochincho é qualquer bagunça, ou festa

    • Cleber

      Bochincho
      Autoria: Jayme Caetano Braun

      A um bochincho – certa feita,
      Fui chegando – de curioso,
      Que o vicio – é que nem sarnoso,
      nunca pára – nem se ajeita.
      Baile de gente direita
      Vi, de pronto, que não era,
      Na noite de primavera
      Gaguejava a voz dum tango
      E eu sou louco por fandango
      Que nem pinto por quireral.

      Atei meu zaino – longito,
      Num galho de guamirim,
      Desde guri fui assim,
      Não brinco nem facilito.
      Em bruxas não acredito
      ‘Pero – que las, las hay’,
      Sou da costa do Uruguai,
      Meu velho pago querido
      E por andar desprevenido
      Há tanto guri sem pai.

      No rancho de santa-fé,
      De pau-a-pique barreado,
      Num trancão de convidado
      Me entreverei no banzé.
      Chinaredo à bola-pé,
      No ambiente fumacento,
      Um candieiro, bem no centro,
      Num lusco-fusco de aurora,
      Pra quem chegava de fora
      Pouco enxergava ali dentro!

      Dei de mão numa tiangaça
      Que me cruzou no costado
      E já sai entreverado
      Entre a poeira e a fumaça,
      Oigalé china lindaça,
      Morena de toda a crina,
      Dessas da venta brasina,
      Com cheiro de lechiguana
      Que quando ergue uma pestana
      Até a noite se ilumina.

      Misto de diaba e de santa,
      Com ares de quem é dona
      E um gosto de temporona
      Que traz água na garganta.
      Eu me grudei na percanta
      O mesmo que um carrapato
      E o gaiteiro era um mulato
      Que até dormindo tocava
      E a gaita choramingava
      Como namoro de gato!

      A gaita velha gemia,
      Ás vezes quase parava,
      De repente se acordava
      E num vanerão se perdia
      E eu – contra a pele macia
      Daquele corpo moreno,
      Sentia o mundo pequeno,
      Bombeando cheio de enlevo
      Dois olhos – flores de trevo
      Com respingos de sereno!

      Mas o que é bom se termina
      – Cumpriu-se o velho ditado,
      Eu que dançava, embalado,
      Nos braços doces da china
      Escutei – de relancina,
      Uma espécie de relincho,
      Era o dono do bochincho,
      Meio oitavado num canto,
      Que me olhava – com espanto,
      Mais sério do que um capincho!

      E foi ele que se veio,
      Pois era dele a pinguancha,
      Bufando e abrindo cancha
      Como dono de rodeio.
      Quis me partir pelo meio
      Num talonaço de adaga
      Que – se me pega – me estraga,
      Chegou levantar um cisco,
      Mas não é a toa – chomisco!
      Que sou de São Luiz Gonzaga!

      Meio na volta do braço
      Consegui tirar o talho
      E quase que me atrapalho
      Porque havia pouco espaço,
      Mas senti o calor do aço
      E o calor do aço arde,
      Me levantei – sem alarde,
      Por causa do desaforo
      E soltei meu marca touro
      Num medonho buenas-tarde!

      Tenho visto coisa feia,
      Tenho visto judiaria,
      Mas ainda hoje me arrepia
      Lembrar aquela peleia,
      Talvez quem ouça – não creia,
      Mas vi brotar no pescoço,
      Do índio do berro grosso
      Como uma cinta vermelha
      E desde o beiço até a orelha
      Ficou relampeando o osso!

      O índio era um índio touro,
      Mas até touro se ajoelha,
      Cortado do beiço a orelha
      Amontoou-se como um couro
      E aquilo foi um estouro,
      Daqueles que dava medo,
      Espantou-se o chinaredo
      E amigos – foi uma zoada,
      Parecia até uma eguada
      Disparando num varzedo!

      Não há quem pinte o retrato
      Dum bochincho – quando estoura,
      Tinidos de adaga – espora
      E gritos de desacato.
      Berros de quarenta e quatro
      De cada canto da sala
      E a velha gaita baguala
      Num vanerão pacholento,
      Fazendo acompanhamento
      Do turumbamba de bala!

      É china que se escabela,
      Redemoinhando na porta
      E chiru da guampa torta
      Que vem direito à janela,
      Gritando – de toda guela,
      Num berreiro alucinante,
      Índio que não se garante,
      Vendo sangue – se apavora
      E se manda – campo fora,
      Levando tudo por diante!

      Sou crente na divindade,
      Morro quando Deus quiser,
      Mas amigos – se eu disser,
      Até periga a verdade,
      Naquela barbaridade,
      De chínaredo fugindo,
      De grito e bala zunindo,
      O gaiteiro – alheio a tudo,
      Tocava um xote clinudo,
      Já quase meio dormindo!

      E a coisa ia indo assim,
      Balanceei a situação,
      – Já quase sem munição,
      Todos atirando em mim.
      Qual ia ser o meu fim,
      Me dei conta – de repente,
      Não vou ficar pra semente,
      Mas gosto de andar no mundo,
      Me esperavam na do fundo,
      Saí na Porta da frente…

      E dali ganhei o mato,
      Abaixo de tiroteio
      E inda escutava o floreio
      Da cordeona do mulato
      E, pra encurtar o relato,
      Me bandeei pra o outro lado,
      Cruzei o Uruguai, a nado,
      Que o meu zaino era um capincho
      E a história desse bochincho
      Faz parte do meu passado!

      E a china – essa pergunta me é feita
      A cada vez que declamo
      É uma coisa que reclamo
      Porque não acho direita
      Considero uma desfeita
      Que compreender não consigo,
      Eu, no medonho perigo
      Duma situação brasina
      Todos perguntam da china
      E ninguém se importa comigo!

      E a china – eu nunca mais vi
      No meu gauderiar andejo,
      Somente em sonhos a vejo
      Em bárbaro frenesi.
      Talvez ande – por aí,
      No rodeio das alçadas,
      Ou – talvez – nas madrugadas,
      Seja uma estrela chirua
      Dessas – que se banha nua
      No espelho das aguadas!

      Agora em Ingles…

      Ilário

      Bochincho (Gauchos Dance Place)

      Once in a bochincho
      I was curious coming from
      The addiction and that neither mangy
      Never to fixing itself and not
      Ball right people
      I saw at once that it was not
      In spring night
      Stammered the voice of a tango
      And I’m crazy fandango
      Neither chick by broked ”

      Chinocas of any size
      And Gauderios purple chin
      Ran a Bochincho froucho
      That night of July
      And unless the noise
      The old harmonica manheira
      So he heard the tinideira
      Spores in the rubble

      My drop chewing the brake
      A branch of the podium
      Pateando glue bound
      I have always been forewarned
      In paid unknown
      Do not neglect me for nothing
      Returning from a troop
      And there I found myself entertained

      Mark will come and mark
      And cordeona muttered
      But an Indian who had looked
      Besides, to my whore
      Lizard coming out of the woodwork
      Whether you lead, the saying goes
      And I stop embodocado
      When one look at me cause

      I tore the bombacha
      And I fray around the visor
      But I was the owner of the room
      And before daybreak on
      I saw the last fleeing
      A chestnut in the Moor
      But left pra Sinuelo
      The china that I most wanted

    • http://GSUCHO gaucho

      GAUCHO VIADO NÃO TEM FOI UM BAGUAL QUE NÃO DEU SERTO

    • http://GSUCHO gaucho

      NA FRONTEIRA COM OS URUGUAIOS XURRUOS E UMA ESPECIE DE PAO COM DOCE DE LEITE, OU A MAQUININHA DE XURROS DO MULITA

    • antoniocarlos (medonho)

      Está muito fraco o dicionário, tchê. Tem que melhorar mais, falou medonho.

    • http://www.debilmetall.blogspot.com george lucas

      muito bom isso ai , e bom pro resto do pais saber um pouco mais de nos do sul, e viado sao os sao paulino .

    • Meleyo

      O Ronaldo, se tu dizes que gaúcho é tudo viado, o que me diz de ti então que foi pego em um motel com 3 travecos bem calçados cada um…..

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    Legend Online – Conheça um dos melhores MMORPG gratuitos do mundo

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